abril 17, 2005

Foi uma vez...

Esta farsa chega a seu fim. Não por falta do que inventar, mas pelo excesso. Expansivos que somos, queremos sempre mais. De agora em diante, estaremos ambos a postos.

O Márcio Guilherme volta a ser Márcio Guilherme; eu passo a ser apenas um Farsante. Ao nosso lado, o Alto Volta, uma espécie de Elio Gaspari do bem, e o Naïf Gendarme, de um cara que tem vinte anos por erro na ordenação cósmica.

A nos unir, três coisas em uma só: o portal A Postos — ou Apostos —, nosso manifesto bloguístico, o Blogma 2005, e o blog coletivo Todos A Postos.

Quem em link pra cá e quiser continuar conectado já pode atualizar o endereço. Ficamos gratos, ainda que por lá as coisas estejam em versão beta.

abril 16, 2005

Quem cala consente, sr. Rabin, ...

... e eu discordo. Aliás, discordo de tudo isso daqui.
Cansei.

Se quiser saber as razões, pode vir quente que estarei "a postos" !
Vai encarar?

Superioridade tem limite

Existem muitos tipos de blogueiros à procura de distinção aristocrática. Uns fazem disso seu tema; outros, seu estilo. Mas ninguém chega perto do Márcio Guilherme, que nem mesmo escreve.

abril 14, 2005

Quem tudo quer tudo quer

Li, num sonho à Borges — ah, beber antes de dormir... —, este adesivo colado no vidro de um carro laranja: “A velocidade da tua força é o sucesso da minha inveja.”

Como faz sentido, fica demonstrada a estupidez da frase original. Aliás, difícil decidir o que é pior: se esses substantivos abstratos arrumados numa ordem coerente qualquer, ou se as parábolas de significado idêntico: “Um passarinho, quando voa, sabe a asa que tem.”

Continuo gostando apenas do que não tem lógica, e nisso minha vó é insuperável: “Bate com a mão na cabeça antes que o pé não chegue.” Eu sempre entendi a reprimenda: sentido é apenas a metade de tudo.

abril 10, 2005

Disfemismo

Com as denúncias da quebra do celibato e de homossexualismo entre padres mundo afora, é realmente mau gosto chamar os candidatos a Papa de papáveis.

abril 08, 2005

Palavras, palavras, palavras

Aqui no Rio, criaram um movimento contra a violência chamado “Basta!” — logo parodiado como “Bosta!” (obviamente muito melhor) —, cujo objetivo é dar um “grito contra o atual estado de coisas”. Exige muita capacidade bolar uma idéia assim: uma palavra, um verbo tornado interjeição e... pronto. Depois, o grupo percebeu que as faixas estendidas nas varandas mais valorizadas da cidade não chegaram a desanimar os bandidos. Resolveu fazer alguma coisa concreta — só não me perguntem o quê, porque, a essa altura, eu já estava mais entretido com o obituário e os quadrinhos.

Mudando de rumo e buscando “soluções reais e factíveis”, o grupo perdeu sua maior virtude: ser o primeiro movimento inteiramente abstrato, teórico, sintetizado no minimalismo de uma palavra e um ponto de exclamação. Até mesmo o design seguia essa perspectiva: letras em vermelho sobre fundo branco. Apenas isso... e Basta! Que pena. Tivessem me consultado e eu daria uma opinião decisiva: sejam originais e não façam nada. Protesto verbal é o que há. E faz muito sucesso.

Vejam o caso dos colunistas que escrevem nos grandes jornais. Ainda esta semana, li um artigo a respeito do Papa e da Igreja Católica. Levo as mãos ao rosto em sinal de constrangimento e quase não me atrevo a contar o que li, mas... vá lá, façamos o sacrifício: num arroubo crítico contra as instituições, o cara me escreve “igreja católica” assim, com letra minúscula. Ainda dei uma chance a ele, imaginando que fosse erro de digitação, mas o protesto se repetiu quatro vezes. Isso é que é indignação! Como ninguém tinha pensado em algo tão genial antes?!

Fico tentando imaginar o que vai na cabeça de pessoas assim. Deve ser alguma coisa parecida com o que pensam os criadores do Basta!. Se ainda assumissem o discurso vazio, sem fundamento e sem ação, contribuiriam mais com a causa do que qualquer ong (assim, com minúscula mesmo) jamais fez.

O problema, penso, é a falta de leitura. Basta uma horinha em frente ao Bartleby, de Herman Melville, para verificar o que pode a inércia humana. Se bem que o “Prefiro não fazer” (“I would prefer not to”, no original) do escrivão não combina com pontos de exclamação, mas isso é pedir demais dessa gente. Prefiro não fazer.

abril 01, 2005

Suspensão das aulas

Umas centenas ou milhares de brasileiros estão rezando para que João Paulo agüente firme até segunda-feira. A fé é capaz de cada coisa...